Reflexões sobre o PIB
Os indicadores macroeconômicos do País continuam a preocupar, e muito, se forem considerados com realismo, e numa visão abrangente.
O PIB (produto interno bruto) brasileiro, em 2003, ficou abaixo de meio trilhão de dólares, ou, se considerado o valor médio do dólar em um ano, US$ 493 bilhões.
A posição do Brasil no ranking mundial decresceu do 12.º lugar para o 15.º, o que levou o empresário Antônio Ermírio de Moraes, em sua coluna semanal na Folha de São Paulo, sob o título “Um PIB Vergonhoso”, a demonstrar números constrangedores.
Em matéria de renda per capita, adverte aquele empresário que em 2003 a do Brasil ficou em U$ 2.789,00, abaixo da Argentina (US$ 3.322,00), que está sob regime de moratória parcial com credores internacionais privados, e da Jamaica (US$ 2.962,00).
O nosso País está no 78.º lugar, no Mundo.
Em comparação com os Estados Unidos a situação é chocante, os americanos têm uma renda per capita de US$ 37.312,00.
Esses números revelam uma perda de posição relativa do País, em termos econômicos, que surpreendem e ferem a auto-estima dos brasileiros. Já fomos, num passado não longínquo, considerados a oitava economia industrial do mundo.
Mas os indicadores acima revelam que, embora seja um país continente com tantas potencialidades, o Brasil é pobre e o seu povo, na maioria, paupérrimo. O PIB brasileiro não alcança sequer 1% do PIB mundial.
Ante essa realidade, nem é preciso indagar sobre as razões principais da violência que se dissemina pelo País; ou sobre a corrupção endêmica; nem a respeito da pobreza que se vê por toda parte.
O problema da classe média também é de extrema importância. Não há país desenvolvido ou estável, sem uma classe média com dimensão numérica e status econômico e social compatíveis.
Isto não ocorre no Brasil de hoje. A classe média é crescentemente sacrificada pela estagnação de salários, aumento da carga tributária, ausência de efetiva previdência pública e de oportunidades de trabalho.
Será que existem ainda brasileiros formadores de opinião, que não vejam o processo contínuo de proletarização da classe média?
O Ministro da Fazenda, Antônio Palocci, declarou que serão precisos dez anos de arrocho fiscal e de limitações econômicas, de um modo geral, para o Brasil se reorganizar.
Mas será que a estabilidade das finanças públicas por si só vai resolver todos os problemas?
É claro que não. Há uma cadeia de problemas que se interligam e interagem, numa relação de causa e efeito.
O País precisa de uma agenda de trabalho acima de partidos e de interesses que não sejam os de todos. E que não pode ser adiada.
Ao assim falar, não estou pretendendo ressuscitar fórmulas arcaicas e desacreditadas como a da chamada “União Nacional”, de apelo meramente político. Nem recorro ao argumento da “governabilidade”, muito ao gosto dos adesistas.
Essa agenda deveria começar pela convergência dos Três Poderes da República, quanto a matérias e objetivos nacionais de curto e longo prazos, para que o País possa reencontrar o caminho das soluções efetivas, abandonando a via das improvisações e das soluções artificiais e ilusórias.
Pelo menos um Chefe de Poder já revelou preparo e discernimento para essa tarefa urgente: o novo Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro NELSON JOBIM.
No seu discurso de posse, ele emite opiniões sobre a reforma do Poder Judiciário com visão de estadista, as quais bem se aplicam aos problemas do próprio País:
“A História não registra e não se satisfaz com queixas, explicações ou desculpas. A História lembra do que fizemos e do que deixamos de fazer. Nada mais. A história incorpora resultados e fatos. Não há registros e espaços para boas intenções. A nossa geração não tem muito tempo. O diagnóstico de nosso problema é conhecido. É urgente a terapia. E é aqui a questão. Há concordância com o diagnóstico. E só divergências radicais quanto a terapia.”
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“Vamos à mesa, todos: advogados, juizes, promotores, acadêmicos, organizações sociais… O Poder Executivo e o Legislativo. Baixemos as armas.”
É o que há de ser feito pelo País, a união de esforços para superar os problemas que o colocam em posição vexatória perante a comunidade internacional.
Publicado no Jornal do Commercio, em 20/6/2004





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