Reforma, ainda que tardia

Fui reeleito e vou iniciar em fevereiro, com os demais parlamentares reconduzidos ou conduzidos à Câmara dos Deputados, minha quarta legislatura. Entretanto, meu sentimento é de decepção e frustração porque fizemos uma campanha em que mais uma vez se revelou o total esgotamento do nosso sistema eleitoral e partidário.

Foi uma campanha em que concorremos principalmente contra nossos companheiros. Nós, candidatos proporcionais, temos como adversários principais os próprios companheiros de partido.

E mais, nosso sistema eleitoral está apodrecido porque o que vemos hoje é que não prevalecem sempre a ideologia, as propostas, a história de cada um, o mérito. O que prevalece é a “mala preta”.

É incrível como vemos surgir em municípios personagens que saem consagrados pelas urnas, mas não pelo povo. É aquele voto que não sabemos a razão.

Vi no jornal os eleitos. Quantos deputados valorosos não foram reeleitos – Antônio Carlos Biscaia, Vilmar Rocha, Osvaldo Coelho, Joaquim Francisco e Sigmaringa Seixas.

Temos de fazer a reforma política que nos recusamos a produzir até hoje por omissão.

Pronunciei um discurso no dia em que se encerrou o prazo de um ano antes das eleições para fazer a reforma – sequer apreciamos a reforma política que estava pronta há mais de dois anos –, ao qual dei o título de “A omissão do Congresso Nacional. Fizemos a última reforma às pressas, quando já não havia mais prazo. O Judiciário, por tolerância, manteve como válidas quase todas as disposições que alteravam o processo eleitoral. Fomos humilhados porque deixamos de colocar nossos retratos em outdoors. E, sobretudo, aqueles que, como eu, dependem do voto de opinião, fomos também obrigados a colocar nossas fotos em cavaletes nas calçadas, em lugares que eram de lata de lixo e que passaram a ser galeria de candidatos ao governo, ao Senado Federal, algo macabro, humilhante, uma democracia de fancaria, uma democracia de brincadeira.

Ou fazemos essa reforma urgentemente, ou então muitos dentre os melhores políticos vão desertar da vida política, sobretudo os da classe média e os que não têm poder econômico, que hoje – digo com absoluta segurança – reside muito mais no poder público do que nos bancos.

Publicado no Jornal do Commercio, em 17/10/2006

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