Blog da Christina Lemos (R7/Record)

Má fama e prestígio zero fazem deputados desistirem da profissão

Aumenta a lista de parlamentares decididos a deixar de vez o Congresso. Enquanto a disputa por uma das 513 vagas da Câmara dos Deputados e 81 do senado é acirrada e financiada por campanhas milionárias, há quem escolha justamente fazer o caminho de volta para casa.

Reprodução do post no blog da jornalista Christina Lemos

Reprodução do post no blog da jornalista Christina Lemos

Entre eles estão os deputados Roberto Magalhães (DEM-PE), Fernando Coruja (PPS-SC), José Eduardo Cardoso (PT-SP), Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), e o senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS) – todos decididos a não mais se candidatar e com algo relevante em comum: são parlamentares de verdade, que se ocupam cotidianamente da tarefa de elaborar ou ajustar leis e do debate político. Isto é, faziam exatamente o que a imensa maioria dos brasileiros tenta fazer: ganhar a vida trabalhando honestamente.

A população, escaldada por tantos escândalos, falcatruas, desmandos e abusos de poder, já não acredita que existam parlamentares assim, mas existem. E são eles que estão tomando nome de ladrão juntamente com os demais. “Tô fora!” – é assim que conclui uma entrevista o secretário geral do PT, José Eduardo Cardoso.

“Você ser acusado permanentemente como se fosse um ladrão vil…, eu acho que isso desestimula qualquer um. Aí as pessoas começam a procurar o seu rumo”, afirma o petista, que parece já ter encontrado o seu: o comitê de campanha da ministra Dilma. Cardoso só não se tornou ministro da Justiça agora, com a saída de Tarso Genro, porque “Dilminha deve precisar dele” – como disse, outro dia, a respeito de si próprio, o ministro Paulo Bernardo, do Planejamento.

Já o deputado Fernando Coruja vai voltar para o consultório. Médico que exerceu a profissão até ontem, o ex-líder do PPS está desiludido: “o parlamento está muito desacreditado. Não consegue legislar, não consegue fiscalizar. Por isso eu decidi não ser candidato este ano”, afirma.

Roberto Magalhães e Ibsen Pinheiro reclamam uma ampla reforma política. Somente depois dela é que valeria voltar ao parlamento. Mas se nem mesmo eles ficam para assumir o trabalho de promover as mudanças!

O pior é que, segundo o Diap – Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, dificilmente esses políticos serão substituídos à altura. Sua desistência pode abrir brecha para a piora na qualidade do trabalho legislativo.

“São pessoas com trajetória política muito respeitável. Lamentavelmente, em seu lugar não virá alguém com o mesmo perfil”, afirma Antônio Augusto Queiroz, diretor do Diap, que completa, com uma previsão trágica: “há o risco até de que pessoas não habilitadas do ponto de vista ético venham a ocupar este tipo de vaga”. Ou seja: se prepare, porque se está ruim, pode piorar.

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